É SIMPLES MAS NÃO É FÁCIL.

Milton Matos Rolim – 17/08/2017

Entender a política é algo extremamente difícil, mas depois de algum esforço você percebe que, apesar de difícil, é simples. É simples porque tudo se resume a alcançar o poder, com algum objetivo, e é difícil porque para conseguir o apoio da população e chegar ao poder, a maioria dos políticos, precisa esconder seu real objetivo através de muita distorção da realidade ou, muitas vezes, simplesmente através da mentira. Vou tentar simplificar um aspecto da nossa política atual, sabendo que perderei muitos detalhes, que poderão ser buscados facilmente em fontes confiáveis.

No governo militar existiam eleições que eram disputadas por dois partidos: ARENA da situação e MDB da oposição. Com o fim do governo militar, ficaram os políticos que mudaram o nome dos partidos. O ARENA virou PDS e o MDB virou PMDB.

Do PDS surgiram PP, PFL (que atualmente se chama DEM) e, talvez (não tenho certeza), alguns outros partidos pequenos. Do PMDB surgira todos os outros, com o apoio de quem retornou do exílio após a anistia ou estavam na clandestinidade, como o PMDB, PSDB, PDT, PT, PCB, PCdoB e todos os outros considerados à esquerda do PMDB e PSDB.

Desde o início uma estratégia simples foi fortalecendo PMDB, PSDB e PT, ao mesmo tempo que enfraqueciam todos os outros, considerados à direita do PMDB e PSDB. Dois partidos aderiram a “tática das tesouras”, PT e PSDB, e se apresentaram como opositores aos governos, que na época eram do PMDB, os primeiros após a ditadura, não esquecendo que o Collor, que se elegeu por um partido pequeno, foi derrubado assumindo Itamar Franco, oriundo do MDB e PMDB. Neste momento, queda do Collor, o PSDB entrou para o governo (situação), criou o plano real e o PT se posicionou na oposição e combateu o plano real. Nos dois governos do PSDB, o PMDB permaneceu no governo e o PT se apresentou como único partido de oposição que realmente podia moralizar, afastando PSDB e PMDB do governo.

Surpreendentemente, em 2002, tínhamos a impressão que FHC fazia campanha para o Lula do PT e não para o José Serra do seu partido, o PSDB. O PT acabou ganhando seu primeiro mandado no executivo e, mais surpreendente ainda, o PMDB continuou no governo.

Como eu disse é difícil, mas é simples. Os papéis agora (agosto de 2017) estão um pouco mudados. O PMDB passou a ser governo, o PT que era governo virou oposição e o PSDB que era oposição se tornou o partido que está tentando parecer neutro, como o PMDB fazia até então.

O relato acima não é para levar o leitor a qualquer conclusão. É apenas para ajudar com informações para compreender o que é simples, mas não é fácil. É simples entender que estamos diante de uma disputa de poder, mas é muito difícil responder a pergunta: Quem está sendo declarando seus reais objetivos ao chegar ao poder e quem está discursando apenas para obter os votos, para se eleger e, depois de eleito, usar o poder como quiser.

 

Porque votei no PT e não voto mais.

Milton Matos Rolim

 

Para explicar algo, aparentemente tão contraditório como o fato de eu ter votado 3 vezes no PT para presidente e atualmente criticar este partido, como faço, é necessário esclarecer, pelo menos, alguns detalhes que remontam o início dos anos 90.

Antes da primeira eleição de Lula, em 2002 eu trabalhava como consultor de “Produção Limpa” desde o início dos anos 90, época em que o “ambientalismo” ainda tinha um último fio de seriedade. Como especialista em “Planejamento Energético e Ambiental” eu sabia, já naquela época, muitos dos resultados negativos que o tipo de “ambientalismo” atual traria, com obras polêmicas como a Transposição do Rio São Francisco.

Naquele momento o PT era o único partido, concorrendo a presidência da república, que era contra a construção da transposição, posição defendida por todos aqueles que se preocupavam com os efeitos de longo prazo da transposição e com o aporte gigantesco de recursos para as empreiteiras (não tem como explicar neste curto artigo a consequências de longo prazo desta obra, eu não teria sucesso como Olavo de Carvalho não teve sucesso nos anos 90 ao tentar explicar os perigos de eleger o  PT).

Quando, em um debate, Lula defendeu que antes de pensar em obras de transposição seria necessário recuperar as margens do Rio São Francisco e da sua bacia, ele ganhou meu voto contra o Serra no segundo turno. Mas a decepção veio rápido. Uma das primeiras obras anunciadas por Lula, após sua posse, foi exatamente a transposição do Rio São Francisco, que havia sido prometida pelos seus adversários.

Em 2006 foi a eleição da escolha apocalíptica. Tinha de um lado o PT envolvido no mensalão e o PSDB, partido do Alkmin, com um tal de “Mensalão Tucano” do outro lado. Como não gosto de me omitir na eleição, votei novamente no PT por considerar o “ Mal Menor”. Em 2010, mais decepcionado ainda tive que escolher novamente entre PT e PSDB, desta vez entre Dilma e Serra. Novamente tive que escolher o que considerei, na época, o “Mal Menor”, Dilma.

Finalmente veio a eleição de 2014, quando então eu já tinha tomado conhecimento do que o Lula chamou de uma “cosita” chamada Foro de São Paulo. Um plano de poder sul americano, capitaneado por Fidel Castro. Quem não acredita que ele exista, pode assistir o próprio Lula explicando a estratégia revolucionária no vídeo do youtube do endereço (https://www.youtube.com/watch?v=pzNIz64UHfo).

Para quem não entendeu, no parágrafo anterior, porque não voto mais no PT só posso dizer que não vou perder tempo tentando explicar. Progressista, esquerda, socialistas, comunistas, governos populares, todas as palavras se referem a este projeto de poder, não só na América Latina, como no mundo inteiro e é exatamente por isto que eles chamam a si mesmos de “NÓS” e nós, a população brasileira, de “ELES”.

 

BUSCA DA SABEDORIA

Milton Matos Rolim

                Segundo o que circula nas redes sociais, o grande sábio chinês Confúcio (500 a. C.) teria dito:

“Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.”

                Então vamos tentar usar o primeiro método para refletir sobre a citação acima tomando-a como um princípio, um postulado. Isto é, vamos analisar sua aplicação aceitando sua validade.

                O primeiro método, por ser o mais nobre, é o que devemos utilizar em primeiro lugar. Isto porque quando buscamos aprender por reflexão, não interferimos nos fatos nem com as pessoas e outros seres vivos. Analisamos como algo externo, de acordo com as informações que chegam a nossa mente, por qualquer meio. Isto é, com aquilo que realmente somos analisamos o que não somos. Isto é extremamente difícil de ser feito, pois temos a tendência de ver no outro os defeitos e qualidade que são nossos e não do outro, como indivíduo.

                O segundo, por ser o mais fácil, é o que devemos utilizar quando não conseguimos pelo primeiro, que é o mais nobre, e desejamos evitar o terceiro, que é o mais amargo. Paradoxalmente, na prática, o mais fácil pode parecer o mais difícil, pois exige de nós algo que poucos tem a capacidade de oferecer. Este método exige humildade de aceitar nossas limitações e, principalmente, que outros podem ter superado estas limitações e que seguir o exemplo destas pessoas pode nos tornar melhores, trazendo assim a sabedoria que não conseguimos com o primeiro método.

                O terceiro, por ser o mais amargo, é o que tentamos evitar. Porém, o único meio de evitá-lo é ter adquirido esta sabedoria pelos dois primeiros métodos. Isto significa que os dois primeiros métodos são opcionais, mas se não escolhemos um deles, seremos submetidos automaticamente ao terceiro, ao mais amargo. É como aquela criança que não entendeu ainda que uma panela quente pode queimar e então coloca a mão nela e se queima. Aprende, pelo método mais amargo, que não deve colocar a mão na panela quente.

                O normal, ao final de um texto, é se fazer uma conclusão sobre o que foi dito, mas acho que seria interessante deixar que cada um tire sua conclusão, inclusive sobre a validade do que escrevi, “por reflexão”.

 

 

Epistemologia genética ou Teoria Genética da Aprendizagem?

Milton Matos Rolim – Prof. Dr.

As teorias pedagógicas de cunho psico genético tem dominado as políticas estatais do ensino (erroneamente chamado de educação), dando a impressão de que as discussões sobre o tema são circulares e sem nenhuma perspectiva de saída. Nestes, aproximadamente, 30 anos na educação demorei muito para entender a armadilha e tenho “quebrado a cabeça” para tentar alertar meus colegas professores sobre este “looping” ideológico. A impressão que tenho é de que quanto mais os professores estudam, quanto mais se aprofundam no tema, mais se perdem em racionalizações “descoladas” da realidade (entenda “descoladas” como quiser).
O segredo é que a chamada epistemologia genética não pode ser chamada de epistemologia, no máximo de “Teoria Genética da Aprendizagem”. Esta simples mudança na terminologia nos indica que podemos então aplicar uma epistemologia para analisa-la, não podendo ser ela própria, a “Epistemologia Genética”, a ser utilizada. Então para proceder esta análise tomemos a própria definição do que estou chamando de teoria genética da aprendizagem.
Em (https://www.significados.com.br/epistemologia/) temos:
“A Epistemologia Genética (teoria genética da aprendizagem) consiste em uma teoria elaborada pelo psicólogo e filósofo Jean Piaget. A epistemologia genética é um resumo de duas teorias existentes, o apriorismo e o empirismo. Para Piaget, o conhecimento não é algo inato dentro de um indivíduo, como afirma o apriorismo. De igual forma o conhecimento não é exclusivamente alcançado através da observação do meio envolvente, como declara o empirismo. Segundo Piaget, o conhecimento é produzido graças a uma interação do indivíduo com o seu meio, de acordo com estruturas que fazem parte do próprio indivíduo.”
O link da nova escola (https://novaescola.org.br/conteudo/1922/o-sujeito-epistemico-de-piaget) complementa com:
“’As coordenações de todos os sistemas de ação traduzem, assim, o que há de comum em todos os sujeitos e se referem, portanto, a um sujeito universal, ou seja, sujeito epistêmico e não ao sujeito individual.’ (Jean Piaget e Beth Evert, no livro Épistémologie Mathématique et Psychologie). Comentário: Para chegar ao conceito do sujeito epistêmico, Piaget investigou características comuns a todas as pessoas no processo do desenvolvimento da inteligência. De acordo com ele, ‘o que há de comum em todos os sujeitos’ é a maneira como elas estruturam e organizam as coisas que conhecem: a capacidade de relacionar, classificar, abstrair, separar e agrupar, entre outras, que o autor chama de ‘coordenações de sistemas de ação’. O sujeito individual, por outro lado, é único: vive em época e cultura específicas, que influenciam suas crenças e opiniões.”
O que as fontes não deixam claro é que este conceito é desenvolvido em cima de postulados materialistas ou naturalistas, ou seja, dentro de uma cosmovisão específica com todos os seus postulados e dogmas. Discutir esta cosmovisão está além do alcance da ciência atual que é exatamente fruto desta cosmovisão (materialista ou naturalista).
O truque mágico que nos trouxe a estas definições circulares foi exatamente chamar o conceito criado, a partir de uma “epistemologia” específica, de epistemologia fugindo assim da possibilidade de uma crítica epistemológica.
Assim, o resumo das duas teorias, o apriorismo e o empirismo, é na verdade uma síntese hegeliana, com pitadas de darwinismo, dos dois polos do materialismo. O primeiro que afirmava que o aprendizado é determinado pela biologia e o segundo, antítese do primeiro, que o aprendizado é determinado pelo ambiente.
Meu desafio aos defensores de Piaget é demonstrar, epistemologicamente, que a Epistemologia Genética (que estou chamando de Teoria Genética da aprendizagem) pode ser usada como axioma ou postulado para toda a parafernália de teorias desenvolvidas pelos construtivistas?

TEORIA

Prof. Dr. Milton Rolim

Para facilitar uma explicação em uma palestra (https://www.youtube.com/watch?v=0WxNzSjCQtM&t=540s) utilizei a definição de “teoria”, do senso comum, facilmente encontrada na internet: “Conhecimento de ordem especulativa, geralmente racional”. Um amigo gentilmente me sugeriu utilizar uma definição mais científica. Isto gerou um debate interessante pela internet, que me fez escrever este texto. Após uma noite de sono acordei com a lembrança de duas frases que ouvi. Uma diz “precisamos resgatar a língua e a literatura” e a outra “as palavras representam formas”.
Entendi, em parte, minha própria relutância em aceitar dogmaticamente as definições científicas ou religiosas e minha insistência na etimologia ou origem das palavras. Neste caso o da palavra “Teoria” e me perguntei: “Que forma ou ideia a palavra teoria quer descrever”? Uma busca rápida na intenet (http://www.dicionarioetimologico.com.br/teoria/) me forneceu a seguinte definição: “A palavra grega theoreîn significa olhar através de. Aquele que olha é chamado de theorós (espectador). Assim tem-se: Theoreîn = théa (através) + horós (ver)”. Neste caso a palavra teoria fala de algo que está além da forma ou do fenômeno, além da observação. Neste caso a definição do senso comum que utilizei continuou a me parecer adequada para o que eu estava tentando explicar.
Esta frutífera discussão que tive, como todo momento de debate faz, me levou a refletir mais sobre isto. Exatamente neste ponto acho que a ciência não poderia redefinir as palavras impondo critérios para o que pode ser chamado por este ou aquele nome. Isto é exatamente o que a “mentalidade revolucionária” faz. Se a ciência deseja utilizar a palavra teoria para uma ideia ou forma científica, então deveria se chamar “Teoria Científica”, ou seja, um significado restrito da palavra e não redefinir a palavra. Isto me parece ser uma interversão autoritária na língua e na cultura representada por determinada língua. O mesmo poderia ser dito para outras palavras como “Lei”, “Princípio”, “Liberdade”, etc. A ciência tem abrangência limitada, por isto deve criar novas palavras, mesmo que por composição como “teoria científica”, para definir sua aplicação de termos de etimologia bem definida. Ou seja, ela já descreve uma ideia específica e se for redefinida gerará confusão. Assim acredito que se deixarmos cientistas, religiosos, ateus ou qualquer outro grupo redefinir as palavras estaremos aceitando a “novilíngua” do filme “1984” de George Orwell (https://www.youtube.com/watch?v=c4wuwEIQafg).
Retomando as frases que citei no início, acho que elas são muito pertinentes. Para recuperar nossa sanidade devemos recuperar nossa língua e entender que palavras representam formas, concretas ou abstratas, nunca a verdade por trás do que é observado ou abstraído, se acreditamos que existe algo além do mundo material que observamos. Se acreditamos que tudo que existe é o que vemos, ou que nossa mente consegue conceber, então estaremos do lado da ciência materialista.
A pergunta que fica é: Que “Princípio” tomaremos como verdade? O materialista ou o não materialista?

OS VÓRTICES

Prof. Dr. Milton Matos Rolim

Quando partículas inertes, no conforto do equilíbrio de fluido calmo, são reviradas umas contra outras, sem que se entenda porque nem como resistir, sua força voraz produz um vórtice que tudo traga, a tudo suga para o redemoinho que se agiganta em um tornado levando telhados, casas e objetos enormes e nos levam a questionar: como aquelas partículas minúsculas puderam levantar tamanha força destrutiva?
Assim é a sociedade em sua maioria. As pessoas vão se acomodando em suas zonas de conforto, buscando pontos de mínima pressão. Isto cria um equilíbrio que passa a falsa sensação de estabilidade. Porém, a busca de menor pressão sobre alguns, acaba por sobrecarregar de pressão outros pontos, ou outros segmentos da sociedade, pois pessoas não são partículas inertes. Quando estes pontos entram em colapso, iniciando um vórtice, começam a dragar aqueles que estavam em sua zona de conforto para o vórtice que, ao seu final, deixa um rastro de destruição.
Alguns pseudointelectuais, percebendo este fenômeno, de como estes vórtices de partículas em fluido podem ser criados e, com alguma previsibilidade, evitado seu caminho natural, concluíram que seria uma boa ideia aplicar estes conhecimentos à sociedade, em uma verdadeira engenharia social.
Destes pensamentos mecanicistas surgiram verdadeiros criadores de vórtices que, em uma inspiração macabra (ou pelo menos maquiavélica), tentam modelar a sociedade criando estes turbilhões sociais, através da criação de classes e estímulos a luta de classes.
Como se estes novos feiticeiros não tivessem feito suficiente estragos, temos agora milhões de aprendizes de feiticeiros criando turbilhões em seus trabalhos, seus bairros, suas religiões, suas torcidas de futebol e em cada local de convivência, até mesmo na família. Esta mentalidade de criação de caos se proliferou de tal forma que temos, a todo instante, a impressão de estarmos mergulhados em um caos geral, do qual não temos força para sair.
Para superar esta situação precisamos, antes de tudo, não permitir nos tornarmos fonte destas ebulições, nem por inércia na zona de conforto, nem por desespero na zona de pressão elevada. Em seguida devemos ser fortes o suficiente para não contribuirmos com outros portadores do caos, neutralizando sua ação ou inércia. E, finalmente, superadas as primeiras duas etapas, quem sabe, podemos contribuir com outros que também querem deixar de ser portadores do caos, para se tornarem portadores da ordem. É simples, mas não significa que seja fácil.