Plantas Nativas – Solução de conciliação para o Araripe.

Muito se tem falado sobre a solução em matriz energética para o Pólo Gesseiro do Araripe. Num cenário em que cada um pensa no seu problema, a cada proposta nova, temos a impressão de mais distantes ficarmos da solução. Quem tem nos acompanhado sabe que temos defendido o Gás Natural Comprimido – GNC ou o Gás Liquefeito de Petróleo – GLP (que significa também poder utilizar o biogás) e uma introdução progressiva da energia solar, tanto que estamos buscando tecnologias que viabilizem este caminho.

Temos consciência de que esta solução não pode ser implantada do dia para noite, bem como uma parada brusca na utilização da lenha teria um impacto negativo muito grande no setor gesseiro. Por isto temos nos empenhado em uma solução, pelo menos temporária para a utilização da lenha, bem como vializar a utilização do gás (GNC ou GLP), sem necessidade de substituição imediata de todos os equipamentos. Além disso se faz urgente um programa de eficiência energética, viabilizando às empresas produzirem a mesma quantidade de gesso, com menor consumo de lenha.

Meu foco neste texto é a produção de lenha localmente. Neste tema algumas proposta colocadas são uma verdadeira ameça a sustentabilidade socio-ambiental da região. Mas não vou me ater a elas e sim a solução que consideramos mais coerente. Trata-se da utilização de plantas nativas, sem a utilização de agro-tóxicos. A utilização desta alternativa  levaria a harmonização dos interesses do setor gesseiro com outros setores como a apicultura e a agricultura familiar. Desta forma onde temos setores “puxando a corda” para lados contrários, teremos todos unidos no mesmo sentido.

A produção de lenha a partir de espécies nativas, que melhoram a qualidade do meio ambiente, é perfeitamente viável, conforme demonstrado pela Prof. Sheila Bittar da UFRPE, no I Seminário Integrado de Ciências da FAFOPA, ( vejam apresentação da Prof. Sheila Bittar). Para ilustração pode ser observada a foto abaixo retirada da apresentação da Prof. Sheila.

Fotos retiradas da apresentação da Prof. Sheila Bittar no I SEICIÊNCIAS.

Acreditamos que quando o pensamento dominante é individualista, a solução dos conflitos é muito difícil. Quando pensamos coletivamente então descobrimos que a maioria dos conflitos são apenas aparentes, na verdade eles não existem.

Assim quando esta plantação de árvores nativas estiver no ponto de ser explorada comercialmente é bem provável que os produtores descubram que existem usos bem mais rentáveis, para a madeira, que o uso como combustível. Então, se começarmos a trabalhar agora, estaremos prontos para atender o setor gesseiro com outras fontes de energias, transformando as plantações em atividades mais rentáveis e mais amigáveis com o meio ambiente e com a geração de mais empregos e renda para população local.

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4 Respostas para “Plantas Nativas – Solução de conciliação para o Araripe.

  1. Acredito que nossas matas têm grande potencial, no sentido de geração de energia como também de produtos como: estacas e mourões de excelente qualidade. O que me preocupa é a ação feroz do ser humano quando o caso é exploração dos recursos naturais e pouco é falado da fauna, demonstrando um desprezo a nossos animais que perdem seu habitat.
    Por outro lado não conheço, nem sei se é papel meu conhecer, mas sinto que pouco está sendo feito pelo pólo gesseiro no sentido de pesquisas para melhorar a eficiências de seus fornos e assim sentimos o reflexo no que diz respeito ao consumo de lenha.

    • Alan.
      Enquanto a natureza estiver sendo avaliada unicamente pela quantidade de combustível que pode fornecer, temos pouca esperança de sairmos do caminho do caos, no qual o Araripe está. Mas de qualquer forma cada voz que se une a outras, aumenta nossa esperança em um caminho de respeito a vida na Terra como um todo. Assim como um viciado em drogas precisa entender que está no caminho errado para se curar, também a sociedade precisa ter esta clareza de que está em um caminho autodestrutivo, para sair dele.

  2. Dr. Milton Matos

    Parabéns pelo excelente blog!!! Gostaria de perguntar na sua opinião quais os entraves para adoção da energia solar ou eólica no Araripe (do ponto de vista técnico). O forno elétrico é eficiente para calcinação?
    O custo do forno elétrico aumentaria muito o custo final do gesso?

    Grato.

    • Prezado Wagner.
      Do ponto de vista técnico não existe entrave algum. Os entraves estão em nível decisório, isto é, as pessoas que tomam as decisões precisam entender a importância das Tecnologias Solar e Eólica como fontes de energia e das plantas como fontes de alimentos e materia prima (não fontes de energia). A partir desta domanda de decisão, que deve ser precedida de tomada de consciência, poderemos construir um futuro Sustentável. Quanto a eletricidade, não é uma fonte de energia em sí. Para termos eletriciadade precisamos ter a fonte primária de energia, isto é a solar, eólica, hídrica, petróleo, carvão, lenha, etc. O custo da eletricidade está intimamente ligado ao preço destas fontes primárias. Neste caso o uso da energia solar para gerar calor diretamente é o mais viável economica, social e ambientamente (veja meu artigo em https://araripesolarsustentavel.files.wordpress.com/2012/07/262revisado1.pdf), desde que sejam criadas as condições para aprendizado e desenvolvimento de tecnologia local.

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