A PRINCÍPIO FALTA PRINCÍPIO.

E comum ouvirmos as pessoas falarem “A princípio…”, complementando com frases totalmente sem princípio. Para entendermos o que acabo de escrever, devemos buscar o significado da palavra princípio.

Segundo o Dicionário “Aurélio”: Princípio s.m.  Começo, origem, fonte. / Física. Lei de caráter geral que rege um conjunto de fenômenos verificados pela exatidão de suas conseqüências: princípio da equivalência. / &151; S.m.pl. Regra da conduta, maneira de ver. / Regras fundamentais admitidas como base de uma ciência, de uma arte etc.

(http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=Principio).

Então podemos observar que a pessoa está partindo do princípio de que diz uma verdade ou uma regra que os ouvintes não poderão contestar. Mas o que pode fazer o desafortunado interlocutor ao perceber que o que se segue ao “A princípio…” é uma total irracionalidade. Por exemplo: Partindo do princípio de que ele era bom, as acusações são falsas. Ora isto não faz sentido, pois imaginem que ele era Hitler e o consideramos bom porque acreditava em Deus. Apesar de estarmos diante de um total absurdo, não conseguiremos convencer o inteligente orador de sua inconsistência, pois poderemos ser acusados de não acreditar em Deus.

Isto parece absurdo? Mas é exatamente o que acontece com pessoas que não aceitam questionar suas crenças. O mais paradoxal disso é que se dizermos que a pessoa está equivocada, ela se enfurecerá e nos acusará de ser ateu. Outro absurdo, porque ser ateu só é crime na cabeça de quem é intolerante. O oposto também acontece, tenho um amigo que se diz “ateu praticante” e acha que quem acredita em Deus é idiota. Ele está partindo do princípio de que Deus não existe, isto é, de um dogma, que é exatamente o motivo pelo qual ele chama quem acredita em Deus de idiota.

Então a princípio, isto é, a bem da verdade, estamos diante de uma falta de princípios. Estamos diante de uma ausência de algo que possa ser aceito como verdade. Se o que falei não acontece, também estarei usando indevidamente o “a princípio…”.

Mas como alguém poderá então saber se devemos ou não devemos aceitar um princípio? O primeiro passo é demonstrar sua validade lógica. O segundo é testar se ele pode ser considerado verdadeiro, para todos que estarão sujeitos a adotá-lo como lei. Sei que ficou difícil entender, por isto resolvi criar uma lei, que só está abaixo de princípios aceitos como verdade que por sua vez está abaixo da verdade. Chamo de lei, porque está acima dos meus direitos. Diz a Lei de Milton.

 

Lei de Milton – Lei de busca da verdade

Esta lei estabelece uma hierarquia para a busca da verdade, incorrendo em crime seu não cumprimento por ação, omissão, bem como pela indução ao seu descumprimento. A busca da verdade deve respeitar a seguinte hierarquia:

1)        Verdade.

2)        Princípio.

3)        Lei.

4)        Direito.

 

Parágrafo único

Incorre em crime contra a humanidade aquele que, intencionalmente, manipular esta hierarquia.

Pedagogia impossível e burrice obrigatória.

Atualmente não aceitamos uma educação com discriminação ou preconceito. Isto é consenso entre professores, bem como amplamente disseminado na sociedade. Mas será que, por ser tão aceito, não devemos questionar? Podemos questionar sim, mas para questionarmos precisamos analisar de alguma forma lógica, mesmo que uma lógica não sofisticada. Por isto, procurando entender a realidade da educação, acabei achando que pedagogia sem preconceito ou discriminação é impossível.

O primeiro passo é não usar as definições da pedagogia formal, isto é, vamos tentar analisar de fora da pedagogia, sem a obrigação de seguir uma lógica regulamentada, analisando o aprendizado, sem o qual a educação não faz sentido. Qualquer dúvida, sobre definições, devemos buscar o dicionário, para ver o significado, se isto não resolver devemos procurar a origem da palavra, sua etimologia.

A aprendizagem é um processo inevitável, independente de existir um sistema de ensino ou leis, e é construída desde o nascimento. O ser humano começa a perceber e identificar os estímulos percebidos. Esta identificação ou classificação será a base das novas classificações que surgirão, sendo também identificada e assim vai evoluindo, em um processo pouco conhecido. Talvez nossa arrogância educacional não nos permita aceitar que sabemos pouco, acabando por ditar verdades ou axiomas sobre aprendizagem, como se fossem dogmas, aos quais todas as sociedades devem se sujeitar. Isto é, pode-se questionar o professor, o diretor, o pai a mãe, a igreja e a ciência, mas não se pode questionar uma teoria pedagógica. Por isto utilizaremos os significados da língua portuguesa, mesmo não sendo muito bons nisso.

Vamos então aos significados de preconceito e discriminação. Preconceito significa ideia pré concebida (aquilo que a pessoa já concebe sobre si e sobre o mundo), intolerância; prevenção; suspeita. No caso da aprendizagem devemos discriminar um destes significados, ou seja, o de uma ideia pré concebida. Discriminação é perceber a diferença, distinguir; diferenciar, separar ou separar, afastar, excluir, então discriminamos os significados a serem usados que são: perceber a diferença, distinguir ou diferenciar. Então preconceito é o que já foi discriminado, o que aprendemos, e discriminação é um processo fundamental da aprendizagem, da criação de conceitos (que são nossos preconceitos). Resumindo, sem discriminação simplesmente não aprendemos, não criamos conceitos (preconceitos), assim a aprendizagem é impossível sem esta capacidade de discriminar.

Então podemos nos perguntar, qual será o resultado de uma lei que criminaliza preconceito e discriminação? Para responder esta pergunta já discriminamos, pois identificamos a lei como causa e o que pode acontecer como efeito. Para isto partimos de um preconceito de que não se questiona a criação da lei. Ora, toda causa tem um efeito e todo efeito tem uma causa, então se fosse tomada a lei como efeito a análise seria totalmente diferente, no sentido oposto. A lei como causa leva a uma opinião sobre o que acontecerá a partir da lei (efeito), como efeito a resposta será uma opinião sobre a motivação por trás da criação da lei (causa). Assim, partindo de nosso preconceito, já está discriminado que a opinião deve ser sobre os efeitos (possíveis conseqüências), portanto responder quais são as causas (motivação) será uma resposta errada. Quanto mais tentarmos cumprir a lei criada, quanto mais eficientes, eficazes, pró ativos e cumpridores de metas sejamos, mais ampliaremos as conseqüências nefastas da lei, aceita pela nossa incapacidade em discriminar se ela era necessária ou não. Pior que isto, diremos que as consequências são devidas ao fato de “os outros” não terem cumprido a lei, então começaremos pedir novas leis para obrigar que todos cumpram a primeira lei que não foi cumprida, mesmo que seja impossível cumpri-la.

Neste ponto devo repetir o que citei em um artigo anterior. A Lógica dedutiva parte de princípios reconhecidos como verdadeiros (premissa maior) e o pesquisador estabelece relações com uma segunda proposição (premissa menor) para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão). Indução é o método de pensamento ou raciocínio, que busca extrair de certos fatos conhecidos, mediante observação, alguma conclusão geral que não se acha rigorosamente relacionada com eles. Sou de opinião que, se escolhermos apenas um dos raciocínios não se fará uma análise lógica, mesmo podendo demonstrar que é uma análise com metodologia científica.

Resumindo, a educação nos condiciona a não discriminar, isto é a não analisar corretamente os fatos. Ora as leis são criadas por pessoas que foram formadas nas escolas, mas quando as leis chegam às escolas já estamos condicionados a acreditar que “lei não se discute, lei se cumpre”. Esta frase contém um erro básico da lógica, pois são duas afirmativas totalmente independentes, consideradas como assertiva e conclusão. Assim acreditamos que não devemos discutir a criação de normas, mas devemos cumpri-las como dogmas. Por isto quanto mais se discute que tipo de sociedade queremos (sociedade ideal e seus valores), em lugar de discutirmos que sociedade não queremos (sociedade real e suas leis), mais nos afastamos da sociedade que queremos e somos jogados na sociedade que não queremos, novamente por nossa incapacidade de discriminar, capacidade esta que queremos transformar em crime pela criação de uma lei. Podemos chamar isto de burrice obrigatória.

DIVAGAÇÕES DE UM PROFESSOR.

Milton Matos Rolim – 01/06/2013

Em um mundo onde o poder do convencimento está muito acima dos fatos, a complexidade e simplicidade, assim como a razão e a emoção, parecem coisas incompatíveis, precisamos parar para refletir, por mais difícil possa parecer. Assim resolvi colocar no papel algumas das muitas questões que invadem minha mente diariamente, talvez devido ao meu trabalho no ensino da física e da história da física. Vale ressaltar que as considerações que se seguem não tem nenhum compromisso com a erudição ou com a metodologia científica, pelo contrário vamos abordar de um ponto de vista popular (os mais cultos podem chamar de abordagem medíocre, sem problemas). Todas as informações aqui colocadas são de fontes facilmente encontradas na internet, talvez em versões diferentes.

Inicialmente, vou falar da complexidade e a simplicidade, citando o exemplo das formulações de Newton F = ma (Força é igual a massa multiplicada pela aceleração) e a de Einstein E = mc² (Energia é igual a massa vezes a velocidade da luz elevada ao quadrado). Estas fórmulas são tão simples que qualquer criança aprende na escola, porém escondem uma complexidade tal que os pesquisadores, das diversas ciências, trabalham nelas até os dias de hoje. Este aparente paradoxo entre simplicidade e complexidade demonstram um aspecto que devemos ter mente: o conhecimento é sempre incompleto, mas o que já existe é o que temos para utilizar no dia a dia e buscar aquilo que ainda não alcançamos. Esta consideração, pelo menos para mim, significa que ontem hoje e amanhã, estaremos sempre em construção de nossa visão de mundo. Infelizmente o ser humano quer respostas definitivas para suas inquietações e desta forma, algumas pessoas tomaram estes enunciados como conhecimento definitivo, chegando ao absurdo de dizer que, a partir deles se podia provar que Deus não existe, ou o contrário que Deus existe. Mas, felizmente, estes homens não se consideram descobridores da verdade. Ao contrário Newton disse “O que conhecemos é uma gota, e o que ignoramos um oceano” e Einstein disse “A liberação da energia atômica mudou tudo, menos nossa maneira de pensar”.

A frase de Einstein, neste ponto, me fez pensar que, vendo a história, encontramos uma evolução quase que contínua da tecnologia, mas um comportamento cíclico na mentalidade humana, alternando momentos opostos como a inquisição e o renascimento, por exemplo. Então resolvi divagar sobre o conhecimento, de forma simplista, buscando um padrão. Para isto parti de um dos conhecimentos mais antigos, possivelmente com mais de 5 mil anos, que são os sete princípios Herméticos.

Antes de entrar nos sete princípios, vamos ver uma frase, deste mesmo pensamento, que diz “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento.“. Este conhecimento sempre esteve à disposição da humanidade, talvez em outras versões como, por exemplo, a encontrada na Bíblia que diz “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”. O problema é que cada indivíduo tem uma interpretação diferente, algumas delas parecem não ter nada a ver com as frases citadas. Por exemplo, na internet encontrei a afirmação de que “Não basta apenas ouvir a Palavra: é necessário praticá-la!”. Ora, esta afirmação em lugar de esclarecer, pode acabar condicionando o crente a repetir os sermões, sem confrontá-lo com a realidade, ou com o conhecimento já disponível. Talvez isto ajude a entender porque esta sabedoria tem milênios, mas cada grupo interpreta de forma a justificar suas próprias crenças. Diz-se que Sócrates acreditava que as ideias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender. Esta frase nos leva para o primeiro princípio hermético.

O primeiro princípio hermético é o Principio do Mentalismo “O TODO é MENTE; o Universo é Mental.“. Este talvez seja o princípio mais difícil de encontrarmos algum exemplo. A teoria das ideias de Platão assevera que a realidade mais fundamental é composta de ideias. Para ele estas ideias ou formas são os únicos objetos passíveis de oferecer verdadeiro conhecimento. O que podemos falar, nos dias de hoje, no sentido de defender este princípio é, por exemplo, uma semente, onde existe uma inteligência que produz uma planta completa. Mas não podemos generalizar, principalmente porque isto depende de nossa concepção do que é “O TODO”. A física quântica faz especulações sobre existir ou não inteligência no mundo subatômico e a interconexão entre todas as coisas tornando o universo uma unidade, mas não se pode tira nenhuma conclusão que confirme este princípio.

Vamos então para o segundo princípio, o Principio de Correspondência, “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.“. Segundo a Bíblia “disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.”.  Sócrates contribuiu para que as pessoas se apercebessem da descoberta da evidência que é a manifestação do mestre interior à alma. Conhecer-se a si mesmo seria conhecer Deus em si. Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é a realidade imutável, igual a si mesma. A segunda são todas as coisas que nos afetam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens da realidade inteligível. Aqui devemos analisar as lógicas dedutivas e indutivas. A Lógica dedutiva parte de princípios reconhecidos como verdadeiros (premissa maior) e o pesquisador estabelece relações com uma segunda proposição (premissa menor) para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão). Indução é o método de pensamento ou raciocínio, que busca extrair de certos fatos conhecidos, mediante observação, alguma conclusão geral que não se acha rigorosamente relacionada com eles. O que se percebe é que o princípio da correspondência é utilizado em ambos os raciocínios, apenas partindo de pontos opostos, um do geral para o particular e o outro do particular para o geral. Do ponto de vista deste princípio não deveria existir conflito entre estas duas formas de pensamento, mas observamos que eles geram verdadeiras guerras, como no caso de ateus e religiosos radicais, uns partindo do princípio de que suas crenças são a verdade absoluta e outros da premissa de que a verdade é somente aquilo que pode ser provado pelos “dogmas” científicos.

O terceiro princípio, Princípio de Vibração “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.“. Este talvez seja o princípio mais fácil de ser aceito pela ciência atual, uma vez que as principais teorias da constituição do universo, como a teoria das cordas, parte exatamente deste ponto, ou seja, tudo é formado a partir da vibração de entidades fundamentais, chamadas cordas. Segundo a teoria ondulatória da luz de Huygens, a luz seria um pulso não periódico propagado pelo éter.

O quarto princípio, Princípio de Polaridade “Tudo é Duplo; tudo tem pólos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.“.  O que se pode falar deste princípio? Talvez que seja fácil de entender e difícil de explicar. Sabemos que o magnetismo terrestre se manifesta em polos norte e sul (como acontece com os imãs), a eletricidade em polos positivo e negativo. Mas em fenômenos mais complexos, como os fenômenos sociais, o reconhecimento destes polos de uma mesma realidade não é simples. Muitas vezes estes polos se apresentam como coisas “desiguais”, mas tratam-se apenas de polos de uma mesma manifestação.

O quinto princípio, Principio de Ritmo “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação.“. Este princípio me parece um aprofundamento, ou complementação, do quarto princípio (anterior) e do sexto princípio (próximo).

O sexto princípio, Principio de Causa e Efeito “Toda a Causa tem seu Efeito, todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei.“. A primeira observação sobre este princípio é com referência ao acaso. Até agora, o conhecimento humano tem demonstrado que coisas que nos pareciam acaso, ou ação dos deuses, eram leis que desconhecíamos. Um exemplo são os raios (corrente elétrica), relâmpagos (luz emitida durante esta corrente) e trovão (som produzido por esta corrente). No passado estes fenômenos eram atribuídos diretamente a ação de alguns deuses. Atualmente já temos conhecimento suficiente para não aceitarmos que se trata de acaso, ou obra de deuses. Se aplicarmos o segundo princípio (correspondência) ao sexto, poderemos dizer que a lei de ação e reação (terceira lei de Newton) corresponde a este sexto princípio de causa e efeito. Isto é o que está em cima (causa e efeito) é como o que está embaixo (ação e reação). Podemos até especular que Newton se inspirou neste sexto princípio para enunciar sua terceira lei.

O sétimo princípio, Principio de Gênero “O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos.“. Este princípio talvez seja um grande tabu atualmente. Falo exatamente das discussões sobre sexualidade, que não nos permitem analisar esta lei de um ponto de vista lógico, sem que sejamos obrigados a entrar na discussão maniqueísta e apaixonada, instalada em nossa sociedade. Minha sugestão é deixar este princípio da mesma forma que o primeiro, ou seja, tratando com extrema cautela. O que podemos pensar é que no momento esta discussão está polarizada (quarto princípio), ou seja, realizada entre opostos, que são apenas polos de uma mesma realidade que pode estar mergulhada na intolerância.