Pedagogia impossível e burrice obrigatória.

Atualmente não aceitamos uma educação com discriminação ou preconceito. Isto é consenso entre professores, bem como amplamente disseminado na sociedade. Mas será que, por ser tão aceito, não devemos questionar? Podemos questionar sim, mas para questionarmos precisamos analisar de alguma forma lógica, mesmo que uma lógica não sofisticada. Por isto, procurando entender a realidade da educação, acabei achando que pedagogia sem preconceito ou discriminação é impossível.

O primeiro passo é não usar as definições da pedagogia formal, isto é, vamos tentar analisar de fora da pedagogia, sem a obrigação de seguir uma lógica regulamentada, analisando o aprendizado, sem o qual a educação não faz sentido. Qualquer dúvida, sobre definições, devemos buscar o dicionário, para ver o significado, se isto não resolver devemos procurar a origem da palavra, sua etimologia.

A aprendizagem é um processo inevitável, independente de existir um sistema de ensino ou leis, e é construída desde o nascimento. O ser humano começa a perceber e identificar os estímulos percebidos. Esta identificação ou classificação será a base das novas classificações que surgirão, sendo também identificada e assim vai evoluindo, em um processo pouco conhecido. Talvez nossa arrogância educacional não nos permita aceitar que sabemos pouco, acabando por ditar verdades ou axiomas sobre aprendizagem, como se fossem dogmas, aos quais todas as sociedades devem se sujeitar. Isto é, pode-se questionar o professor, o diretor, o pai a mãe, a igreja e a ciência, mas não se pode questionar uma teoria pedagógica. Por isto utilizaremos os significados da língua portuguesa, mesmo não sendo muito bons nisso.

Vamos então aos significados de preconceito e discriminação. Preconceito significa ideia pré concebida (aquilo que a pessoa já concebe sobre si e sobre o mundo), intolerância; prevenção; suspeita. No caso da aprendizagem devemos discriminar um destes significados, ou seja, o de uma ideia pré concebida. Discriminação é perceber a diferença, distinguir; diferenciar, separar ou separar, afastar, excluir, então discriminamos os significados a serem usados que são: perceber a diferença, distinguir ou diferenciar. Então preconceito é o que já foi discriminado, o que aprendemos, e discriminação é um processo fundamental da aprendizagem, da criação de conceitos (que são nossos preconceitos). Resumindo, sem discriminação simplesmente não aprendemos, não criamos conceitos (preconceitos), assim a aprendizagem é impossível sem esta capacidade de discriminar.

Então podemos nos perguntar, qual será o resultado de uma lei que criminaliza preconceito e discriminação? Para responder esta pergunta já discriminamos, pois identificamos a lei como causa e o que pode acontecer como efeito. Para isto partimos de um preconceito de que não se questiona a criação da lei. Ora, toda causa tem um efeito e todo efeito tem uma causa, então se fosse tomada a lei como efeito a análise seria totalmente diferente, no sentido oposto. A lei como causa leva a uma opinião sobre o que acontecerá a partir da lei (efeito), como efeito a resposta será uma opinião sobre a motivação por trás da criação da lei (causa). Assim, partindo de nosso preconceito, já está discriminado que a opinião deve ser sobre os efeitos (possíveis conseqüências), portanto responder quais são as causas (motivação) será uma resposta errada. Quanto mais tentarmos cumprir a lei criada, quanto mais eficientes, eficazes, pró ativos e cumpridores de metas sejamos, mais ampliaremos as conseqüências nefastas da lei, aceita pela nossa incapacidade em discriminar se ela era necessária ou não. Pior que isto, diremos que as consequências são devidas ao fato de “os outros” não terem cumprido a lei, então começaremos pedir novas leis para obrigar que todos cumpram a primeira lei que não foi cumprida, mesmo que seja impossível cumpri-la.

Neste ponto devo repetir o que citei em um artigo anterior. A Lógica dedutiva parte de princípios reconhecidos como verdadeiros (premissa maior) e o pesquisador estabelece relações com uma segunda proposição (premissa menor) para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão). Indução é o método de pensamento ou raciocínio, que busca extrair de certos fatos conhecidos, mediante observação, alguma conclusão geral que não se acha rigorosamente relacionada com eles. Sou de opinião que, se escolhermos apenas um dos raciocínios não se fará uma análise lógica, mesmo podendo demonstrar que é uma análise com metodologia científica.

Resumindo, a educação nos condiciona a não discriminar, isto é a não analisar corretamente os fatos. Ora as leis são criadas por pessoas que foram formadas nas escolas, mas quando as leis chegam às escolas já estamos condicionados a acreditar que “lei não se discute, lei se cumpre”. Esta frase contém um erro básico da lógica, pois são duas afirmativas totalmente independentes, consideradas como assertiva e conclusão. Assim acreditamos que não devemos discutir a criação de normas, mas devemos cumpri-las como dogmas. Por isto quanto mais se discute que tipo de sociedade queremos (sociedade ideal e seus valores), em lugar de discutirmos que sociedade não queremos (sociedade real e suas leis), mais nos afastamos da sociedade que queremos e somos jogados na sociedade que não queremos, novamente por nossa incapacidade de discriminar, capacidade esta que queremos transformar em crime pela criação de uma lei. Podemos chamar isto de burrice obrigatória.

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