VERDADE E METIRA PARA ATEUS E CRENTES

Milton Matos Rolim

Bons tempos quando os crentes falavam “Deus é a verdade” e os ateus respondiam “deus não é a verdade porque deus não existe”. Eram tempos em que uns acreditavam em Deus (deus) outros não, mas todos sabiam o que é verdade, sabendo o que é verdade sabiam diferenciar a o que significa uma mentira e uma coisa que não é verdade, apesar de não saber definir o que é verdade.

O que é verdade? Se definirmos verdade, limitamos seu significado em vez de explicá-lo. Mas para considerarmos uma definição verdadeira já precisamos saber o que é verdade. Exatamente neste ponto surge a confusão. Muitos tentaram explicar o que é verdade como, por exemplo, “verdade é o que existe”. Então a isso se acrescentou que só pode se afirmar que algo é verdade se “for provado que existe”. Daí foi um passo para surgir a afirmação de que “Verdade não existe”, quando a confusão tomou conta da cabeça das pessoas. Todos começaram a criar novos termos como “verdade absoluta”, “meia verdade”, “o que é verdade para você pode não ser para mim”. Possivelmente, quem estiver lendo este texto vai lembrar algum momento em que ouviu, pelo menos, uma das últimas três frases sobre a verdade. Estas frases e outras que foram surgindo começaram uma verdadeira revolução de oximoros (junção de duas palavras que se contradizem para criar uma terceira). Exemplos seriam “entra para fora” ou “sair para dentro”. Se escrevermos “entrar para dentro” ou “sair para fora” seriam pleonasmos, que é um tipo de vício de linguagem, semelhante a “verdade absoluta”. Uma verdade só será verdade se for absoluta, assim como só se entra se for para dentro.

Mas então como identificar o que é verdade e o que não é. Devemos começar por entender que não identificamos verdade. O que podemos fazer é identificar o que não é verdade, mesmo não sendo mentira, ou a mentira, que é algo dito como se fosse verdade, sabendo-se que não é. Ou seja, algo que não é verdade poderá ser também uma mentira ou não.

A melhor maneira de ajudarmos a rever isto, ou seja, colocar um pouco de ordem nesta confusão é entender que verdade é apenas uma referência e está ligada ao pensamento apenas. Tudo que penso pode ser verdade ou pode não ser verdade. Podemos considerar o seguinte exemplo: uma pessoa mostra uma caixa fechada e diz que tem uma chave liga-desliga desliga. Se outras duas pessoas disserem, uma que está desligada e outra que está ligada, nenhum dos dois está mentindo, apenas não podem afirmar quem está certo, a menos que consigam abrir a caixa. Neste caso, ambos, verão se era verdade o que estavam pensando sobre a pergunta “a chave está ligada ou desligada”. Mas se não puderem abrir a caixa, terão que pensar em formas indiretas para decidir quem está certo. Então eles chegam a uma resposta única, mas não poderão dizer se é verdade. Pode ser que não seja verdade que exista uma chave dentro da caixa, então ambos estavam errados, porque o que não era verdade (neste caso também metira) é o que a pessoa que apresentou a caixa disse.

Neste exemplo ambos foram enganados, por quem fez a pergunta. Se quisermos tomar decisões importantes, não podemos ir pela opinião dos outros, temos que ter convicção e convicção é acreditar que algo é verdade. Quando somos enganados, acabamos contribuindo para criar mais confusão e discussão. Por isto faça sempre suas defesas na medida de sua crença, seja você ateu ou se acredita em Deus. Esclarecendo aqui que ateu também tem crenças e a principal é que Deus não existe.

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