DEUS NÃO EXISTE?

1 – Tenho certeza que estou em dúvida.

A história da humanidade é uma história de altos e baixos, euforia e desespero. Nos períodos de euforia o homem se auto proclama Deus, nos momentos de desespero clama por Deus.

Acredito que isto se deva ao conflito entre a individuação e integração, isto é, o conflito existente no homem por sentir que é Deus, como quando Jesus diz, “Eu e o Pai somos um – João 10:30” e ser abandonado por Deus, como quando Jesus diz,  “Por que me desamparaste – Mateus 27:46”.

Nesta indagação estamos diante de um paradoxo. Como podemos ser parte de Deus e ser abandonado por Ele? Como podemos ser a imagem e semelhança de Deus e Ele se arrepender de nos ter criado?

Certa vez Mahatma Gandhi disse “As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?” Talvez ai esteja nossa dificuldade: acreditarmos que nossas crenças são o único caminho. Isto nos leva a um objetivo específico de nossas crenças e não ao objetivo comum que dizemos buscar, ou seja, “A Verdade”. Se a verdade não for o deus que acreditamos, então Deus não deixará de ser a Verdade. Apenas nossa concepção equivocada de Deus não será verdade.

Voltando ao paradoxo, ele nos mostra que estamos diante de algo além de nossa compreensão, naquele momento. A ciência materialista negando sua falibilidade tenta incorporar os paradoxos, sem buscar-lhes solução. Desta forma os cientistas podem afirmar do alto de sua arrogância que têm respostas para o que, na verdade, não conseguiram responder. Desta forma a ciência, negando os paradoxos, deixa de ser um caminho para a verdade e se torna idêntica as religiões sectárias, tentando explicar o que não entenderam.

 

2 – Reconhecer a dúvida e não negá-la

As religiões e as ciências, só se tornam antagônicas, quando não aceitam, com humildade, sua limitação e incapacidade de ser porta voz da “Verdade”, ou guardiões da mesma. Neste caso se tornam autoritárias, com relação a tudo que não esteja em seu acordo e complacentes com tudo que as defenda. Neste momento o mal se instala e o ser humano, oprimido pelo mal que criou, se questiona: se Deus é amor, por que me deixa sofrer? Se Deus é justo, por que sofro tanta injustiça? Ou então: se a ciência sabe tudo, por que ainda não encontrou solução para os inúmeros sofrimentos físicos e psíquicos, vividos pelo ser humano?

Diferente do que usualmente se pensa reconhecer nossas limitações nos torna mais fortes, nos leva mais longe. Segundo a história da Torre de Babel, o ser humano quis chegar aos céus, através de sua capacidade de construir grandes monumentos. Podemos entender que se tratou de uma extrapolação infeliz. O Céu, morada de Deus, na mente daquelas pessoas, estaria muito próximo das montanhas mais altas. Alcançá-lo dependeria unicamente da capacidade de construir uma torre suficientemente grande, o que seria possível com a evolução já alcançada na engenharia. Hoje achamos graça deste raciocínio. Mas não achamos estranho pensar que Deus não existe, pelo fato da ciência não poder provar Sua existência. Ou pior, achamos científica a busca insana da “partícula de Deus”, por cientistas renomados. Como podemos procurar a “partícula de Deus” em laboratórios, se é exatamente isto que somos: uma “partícula de Deus”.

No Templo Interior, do antigo templo de Luxor no Egito Antigo, um dos muitos provérbios é “Homem, conhece-te a ti mesmo, assim conhecerá os deuses.”. Milhares de anos se passaram e, a maioria dos seres humanos, continua criando novos paradoxos, sem ter resolvido este. Encontrar a partícula de Deus é conhecer Deus sem ter se conhecido. Mas como conhecer Deus sem ter conhecido a si mesmo? Se somos um com Deus, é impossível conhecê-lo sem nos conhecermos. Talvez por isto o paradoxo da ciência materialista querer encontrar a partícula de Deus e, ao mesmo tempo, afirmar que Deus não existe.

 

3 – Humildade do Mestre e Arrogância dos Seguidores

Isaac Newton, autor da mais importante obra científica de todos os tempos os “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, no auge de sua fama afirmou “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”, demonstrando reconhecer que sua teoria explicava muito pouco. Sendo assim limitada a um grupo pequeno de fenômenos. Os seus seguidores, no entanto, o colocaram acima de toda a filosofia. O poeta Alexander Pobe falou sobre o feito de Newton: “Na noite se escondiam a Natureza e suas leis. Deus disse “Que surja Newton”, e tudo foi luz.”. Isto pode nos dar uma idéia de como Newton, contra sua vontade, foi colocado acima de todos os pensadores, ficando abaixo apenas de Deus. Este foi o primeiro passo, para que chegassem à conclusão que Deus era dispensável, pois o homem poderia, usando sua inteligência, explicar tudo, surgindo assim o materialismo (entre outras idéias correlatas), que relegou Deus a uma idéia necessária apenas para pessoas ignorantes.

A mesma lógica pode ser observada nos religiosos que, mesmo acreditando que Jesus disse “Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará”, conseguem viver o paradoxo de afirmarem conhecer a verdade, mas reconhecendo que não são livres como Jesus. Novamente vemos um caso de humildade do mestre e arrogância dos seguidores.

 

4 – Paradoxos da ciência materialista

A ciência materialista afirma que “só é científico aquilo que pode ser verificável” e, desta maneira, deixa Deus como escolha de fé, mas adota diversos axiomas que não são verificáveis, ou seja, não seriam científicos, pelo próprio critério da ciência materialista. Um exemplo é o Sol como centro do sistema solar (pelo menos quase no centro). Acreditamos, porque aceitamos as leis de Newton, e aceitamos as leis de Newton porque elas demonstram matematicamente que, entre outras coisas, o Sol é o centro do sistema solar. Não questiono esta crença, porque, até agora, esta é a melhor explicação. Porém tenho que ter fé nas leis de Newton para aceitar, uma vez que isto não pode ser comprovado, sem aceitar estas leis. Então de onde vem minha fé? Ela vem do conhecimento das diversas teorias e da escolha que faço pela que considero a melhor. Ou seja, fé e ciência devem ter a mesma origem, ou então não serão, nem fé nem ciência.

Quando Einsten expôs a teoria da relatividade, J. C. Squire acrescentou a frase de Pope, antes citada, “Mas não foi o fim: o Diabo, vociferando: Ó, que surja Einstein!”, restaurou o status quo.”. O autor quis dizer que voltamos ao caos teórico que dominava a ciência antes de Newton. Mas este caos foi restabelecido pela recusa, da ciência materialista, em aceitar que não pode explicar tudo. Newton acreditava que a luz era formada por partículas, outros achavam que era uma onda. Ao medir o caráter ondulatório da luz, os cientistas materialistas decretaram que Newton estava errado. Com o passar do tempo descobriram que a luz pode se comportar hora como onda, hora como partícula, então criaram o quantum, pacotes de ondas. Então voltamos a pergunta: A luz é onda ou partícula? A resposta é: depende do observador. Depende do observador? Mas quem é o observador? Nem vou continuar perguntando para não confundir mais do que já é confuso.

Com estas coisas sem resposta, na biologia, a ciência materialista percorreu o caminho sombrio da teoria da evolução, que foi aceita sem qualquer evidência observável. Como surgiu o primeiro ser vivo, ou como uma espécie se transforma em outra? Não importa, a evolução virou dogma científico. A religião evolucionista passou a rejeitar qualquer um que duvidasse de seu dogma. Isto é, se o estudante não aceitar o evolucionismo, não termina seu curso de biologia, e é visto como um herege da ciência materialista. Desesperados, os darwinistas buscaram por todos os meios, comprovar seu dogma da evolução e foram derrotados pelos resultados de seus próprios estudos. A conclusão destes estudos é que, para existir a vida, como a conhecemos, deve existir uma inteligência que a anteceda. E agora? Que inteligência é essa?

 

5 – A fé inabalável do Ateu

Os materialistas não se dão por derrotados e acusam a teoria do Projeto Inteligente (Intelligent Design) de ser uma religião, apenas pelo fato de admitir que existe uma inteligência por trás da vida. Não reconhecem que sua crença, de que a vida surge espontaneamente do caos, não tem evidência. As evidências são as de que só pode existir a vida, como a conhecemos, a partir de uma inteligência anterior a ela. É preciso muita fé para insistir negando os fatos e apoiando-se em um dogma ultrapassado. A isto chamo de Fé Inabalável do Ateu.

 

6 – Convite à razão

Se estas considerações que fiz, levam o leitor a se questionar sobre o que é fé e o que é ciências? Ou porque fé e ciência devem ser excludentes? Deixo aqui meu convite para apelar à razão e se questionar: Deus existe ou não existe? Se existe, ou não existe, o que me faz acreditar no que acredito? E finalmente, o que esta minha crença traz de bom para mim e para as outras pessoas, incluindo aqueles que pensam diferente de mim?

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