Deus não tem religião!

Dizem que Gandhi falou: “Deus não tem religião”. Outros personagens criticaram as religiões mesmo dizendo acreditar em Deus. Deixando de lado as discussões mais eruditas, vamos nos concentrar nesta afirmação.

Desconsiderando que religião significa, do latim “re-ligare”, ligar novamente, vamos falar aqui de religião como a crença em um poder inteligente maior, que a maioria de nós chama de “Deus”. Esta definição agrupa a maioria das pessoas, excetuando os “materialista”, ou seja, aqueles que acreditam que tudo que existe é o mundo material e que este causa os fenômenos, inclusive o desenvolvimento da inteligência. Este pensamento se contrapõe à crença em Deus, como colocado aqui, que tem o poder inteligente como criador do mundo material.

Não vamos aqui contrapor materialismo e religiosidade, pois nosso interesse é discutir a partir da aceitação da existência deste poder inteligente superior, como presente em todas as crenças. Este poder (Deus), é o incognoscível, ou seja está além da capacidade de compreensão do cérebro humano, desta forma a religião se apresenta como uma tentativa de compreensão deste poder. Neste sentido é incompreensível a separação entre religião e ciências, uma vez que a ciência busca cada vez mais elevar a compreensão do Universo e suas leis.

Ora! Se a finalidade da religião, assim como da ciência, é a compreensão do “todo”, ambas falam de algo que a mente humana não é capaz de descrever e, por mais que se desenvolva, não tem como avaliar a que distância se está desta compreensão. Segundo Victor Hugo, “Todas religiões têm razão quanto ao fundo, mas todas estão erradas quanto à forma”. Isto nos remete a essa necessidade de entender que as verdades não mudam, o que muda é nossa compreensão delas, sendo as religiões sectárias, aquelas que não se permitem rever sua própria concepção de Deus. Da mesma forma a ciência materialista sectária, que não aceita rever sua visão mecanicista do mundo, se transforma em um entrave para o desenvolvimento do pensamento humano. Um mundo onde a humanidade é regida pela “mecânica” e pela “seleção natural”, a própria evolução defendida é uma alucinação, algo inatingível.

Assim, as religiões devem ter o cuidado de não se tornarem sectárias, criticando as demais, como se ela própria fosse a única portadora da verdade. Neste sentido a ciência “materialista”, com seu desprezo pelo transcendente, se transformou em uma religião, cujas bíblias são o “mecanicismo” e a “teoria da evolução” de Darwin. Quanto as lutas do cotidiano, serve aos religiosos o alerta de Francesco Guicciardini “Jamais combatas com a religião nem com as coisas que pareçam depender de Deus; pois tal argumento tem muita força na mente dos tolos”. Esta citação da conta que devemos utilizar o conhecimento do Mundo, para entender Deus e não Deus para justificar nossa compreensão do Mundo. Deus não tem religião, mas as religiões só fazem sentido na busca de Deus, através do sentimento e da razão.