TEORIA

Prof. Dr. Milton Rolim

Para facilitar uma explicação em uma palestra (https://www.youtube.com/watch?v=0WxNzSjCQtM&t=540s) utilizei a definição de “teoria”, do senso comum, facilmente encontrada na internet: “Conhecimento de ordem especulativa, geralmente racional”. Um amigo gentilmente me sugeriu utilizar uma definição mais científica. Isto gerou um debate interessante pela internet, que me fez escrever este texto. Após uma noite de sono acordei com a lembrança de duas frases que ouvi. Uma diz “precisamos resgatar a língua e a literatura” e a outra “as palavras representam formas”.
Entendi, em parte, minha própria relutância em aceitar dogmaticamente as definições científicas ou religiosas e minha insistência na etimologia ou origem das palavras. Neste caso o da palavra “Teoria” e me perguntei: “Que forma ou ideia a palavra teoria quer descrever”? Uma busca rápida na intenet (http://www.dicionarioetimologico.com.br/teoria/) me forneceu a seguinte definição: “A palavra grega theoreîn significa olhar através de. Aquele que olha é chamado de theorós (espectador). Assim tem-se: Theoreîn = théa (através) + horós (ver)”. Neste caso a palavra teoria fala de algo que está além da forma ou do fenômeno, além da observação. Neste caso a definição do senso comum que utilizei continuou a me parecer adequada para o que eu estava tentando explicar.
Esta frutífera discussão que tive, como todo momento de debate faz, me levou a refletir mais sobre isto. Exatamente neste ponto acho que a ciência não poderia redefinir as palavras impondo critérios para o que pode ser chamado por este ou aquele nome. Isto é exatamente o que a “mentalidade revolucionária” faz. Se a ciência deseja utilizar a palavra teoria para uma ideia ou forma científica, então deveria se chamar “Teoria Científica”, ou seja, um significado restrito da palavra e não redefinir a palavra. Isto me parece ser uma interversão autoritária na língua e na cultura representada por determinada língua. O mesmo poderia ser dito para outras palavras como “Lei”, “Princípio”, “Liberdade”, etc. A ciência tem abrangência limitada, por isto deve criar novas palavras, mesmo que por composição como “teoria científica”, para definir sua aplicação de termos de etimologia bem definida. Ou seja, ela já descreve uma ideia específica e se for redefinida gerará confusão. Assim acredito que se deixarmos cientistas, religiosos, ateus ou qualquer outro grupo redefinir as palavras estaremos aceitando a “novilíngua” do filme “1984” de George Orwell (https://www.youtube.com/watch?v=c4wuwEIQafg).
Retomando as frases que citei no início, acho que elas são muito pertinentes. Para recuperar nossa sanidade devemos recuperar nossa língua e entender que palavras representam formas, concretas ou abstratas, nunca a verdade por trás do que é observado ou abstraído, se acreditamos que existe algo além do mundo material que observamos. Se acreditamos que tudo que existe é o que vemos, ou que nossa mente consegue conceber, então estaremos do lado da ciência materialista.
A pergunta que fica é: Que “Princípio” tomaremos como verdade? O materialista ou o não materialista?

Anúncios