PRINCÍPIO DE ARQUIMEDES E A ELEVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

Milton Matos Rolim- 28/09/2017

Metafísica é aquilo que está além da física. Fazem parte da metafísica todas as teorias que tem coerência com a realidade (a física). Via de regra o ser humano vai compreendendo a metafísica através de modelos ou teorias que, inicialmente, descrevem um fenômeno físico. Estes modelos e teorias podem e devem ser aprimorados ou substituídos, quando começam a demonstrar falhas em descrever alguns aspectos particulares do fenômeno que busca explicar. Infelizmente nós seres humanos temos a tendência de querer adaptar, ou mesmo modelar totalmente, a realidade às nossas teorias impondo sofrimento aos semelhantes e a nós mesmo, seja em nome de uma doutrina espiritual, seja em nome da ciência materialista.
Penso que o ideal é utilizar um fenômeno “físico”, conhecido e estudado, para fazer analogia com o que estamos vislumbrando em termos de “metafísica”. Por isto utilizarei o Princípio de Arquimedes para fazer uma analogia com uma idéia de crescimento da consciência humana que aparece na psicologia, nas religiões e nas culturas em geral. Só para esclarecer, considero que é mais adequado classificar a psicologia como aquilo que chamamos hoje de ciências humanas ou mesmo filosofia e não ciências naturais ou medicina.
Pense no “Princípio de Arquimedes”, a partir do ar de nossa atmosfera. Soltamos um balão de hélio e ele sobe até uma determinada altura onde para novamente. Isto porque o hélio é mais leve que o ar ao nível do mar e, quando encontra o ar que tem o mesmo peso que o hélio, ele para de subir. Se jogamos para o alto um balão comum, em um ambiente sem vento, o balão começa a descer até retornar ao solo, pois o ar sob pressão, dentro do balão, é mais pesado que o ar que o circunda. De maneira simples o que é mais leve que o ar flutua o que é mais pesado afunda.
Imagine agora que as diversas alturas, da atmosfera, sejam níveis de consciência e sua própria consciência um balão cheio de um gás que pode se tornar mais leve ou mais pesado, conforme seus conteúdos sejam conteúdos leves ou pesados. Então quando fazemos esta analogia, a primeira impressão é de que é simples demais. Basta tornar os conteúdos de nossa consciência mais leves e nossa consciência se elevará naturalmente. O problema das analogias é que as pessoas param aí, no entendimento. Mas não haverá aprendizado, e a consequente elevação de consciência, se este entendimento não for transformado em aprendizado e para isso, para o entendimento se tornar aprendizado, deve ser colocado em prática.
Se eu aceitar um conteúdo mais pesado por ser mais barato? Seria como compra gás de cozinha, que é mais pesado que ar em lugar do hélio que é mais leve. Além de mais pesado o gás de cozinha é combustível, pode pegar fogo. Assim também o conteúdo mais barato (mais fácil) poderá, além de fazer descer a consciência, deixá-la com algumas cicatrizes de queimadura. Ou então se tentarmos forçar nossa elevação de consciências com práticas ou drogas que forcem a expansão da consciência? Seu cérebro poderá não suportar a pressão e entrar em colapso. Seria como se você tentasse forçar um gás mais leve em seu balão, sem tirar o ar que está lá dentro. Ele pode estourar e terá que ser restaurado antes de voltar a enchê-lo.
Se a analogia levando em conta os problemas que podem surgir na tentativa de tornar um balão mais leve já nos mostra dificuldades, temos a aquele detalhe que faz com que ninguém possa tornar nosso balão mais leve e, mesmo podendo nos dar algumas dicas, não poderão também nos aportar a forma exata de encher o nosso balão, ou de elevar nossa consciência. Este detalhe é que cada um de nós é um ser único e diferente dos outros. Por analogia, o balão de cada um é diferente dos balões dos outros. Por isto devemos ter em mente que nossa relação com o transcendente é única e individual e só nossa própria consciência poderá nos conduzir na busca metafísica. Se concordar com esta afirmação, então não será difícil entender que não faz sentido tentarmos impor nosso caminho as outras pessoas, mas apenas estender a mão quando elas estiverem sofrendo, para dar conforto e descanso, para que retomem sua caminhada.

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